Guedes prevê queda de 4% para o PIB em 2020; Campos Neto projeta recuo de 4,5%
As duas principais autoridades na condução da economia brasileira divulgaram estimativas diferentes para o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2020. Enquanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que projeta tombo de 4%, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse prever recuo na casa dos 4,5%. Oficialmente, o governo federal estima retração de 4,7% das atividades econômicas neste ano. Já em relatório divulgado em setembro, o BC afirmou que a soma das riquezas produzidas no país deve cair 5%. As duas declarações foram dadas em eventos distintos na manhã desta segunda-feira, 19. Em um vídeo apresentado na abertura da reunião virtual da Cúpula da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, Guedes afirmou que o governo sempre foi mais otimista que os analistas do mercado sobre os efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia nacional. “A previsão inicial do FMI [Fundo Monetário Internacional] e outras instituições financeiras era que o PIB brasileiro cairia quase 10%, ou mais e nós revisamos para 5% a 5,5%, metade da estimativa inicial. Mas pensamos que vai ser muito menos do que isso: 4% de queda”. O FMI revisou a projeção de queda do PIB brasileiro para 5,8%.
Já a previsão de Campos Neto foi feita durante conferência realizada pelo Milken Institute. Para o presidente do BC, o Brasil chegou em um “ponto de inflexão” e que é preciso gastar menos para recuperar a confiança dos investidores na retomada do controle fiscal. Ele também afirmou que o país foi o que mais gastou entre os emergentes para mitigar os efeitos do novo coronavírus na economia. “O custo disto foi o risco fiscal. Nós já tínhamos uma situação fiscal fragilizada desde o começo, estávamos em processo de reverter isso, e então tivemos esse grande choque”, afirmou o presidente. Segundo ele, o país precisa transmitir a mensagem de controle das contas públicas. “Estamos em um ponto de inflexão que precisamos passar credibilidade. Precisamos retomar o plano original de investimentos privados para retomar a credibilidade, e, em nosso caso, a credibilidade está conectada a disciplina fiscal e continuidade das reformas”, afirmou.
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