Policial Militar é acusado de atrapalhar investigações da morte de Marielle Franco
O policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, conhecido como Ferreirinha, foi apontado como responsável por atrapalhar as investigações da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, segundo um relatório da Polícia Federal (PF).
A PF afirmou que o PM criou uma história com a finalidade de confundir as autoridades, e aproveitou a trama para se vingar. As informações são do site G1.
Durante meses, ele foi considerado a principal testemunha do caso. Mas, de acordo com a PF, Ferreirinha é ex-aliado de Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, a quem acusou de tramar o atentado, ao lado do vereador Marcello Siciliano. Ambos sempre negaram envolvimento.
O PM teria dito, ainda, que o motivo seria o avanço de ações comunitária da vereadora na Zona Oeste e que as conversas sobre o assassinato teriam começado em junho de 2017.
A advogada de Ferreirinha, Camila Nogueira, afirmou que desconfiava da versão apresentada pelo cliente e que se sentiu usada. Ela esclareceu que “essa criação de Rodrigo Ferreira e a manipulação com os policiais civis que fez com ela foi mais um dos fatos que a levaram a ter medo de ficar nessa situação”.
Os delegados da PF que apresentaram Ferreirinha como testemunha também foram investigados, assim como alguns policiais civis. O relatório não aponta nada contra eles.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) precisa decidir se apresenta ou não denúncia contra o PM, que pode ser preso por falso testemunho.
Acusados
A vereadora Marielle Franco foi morta a tiros no dia 14 de março de 2018 no bairro do Estácio, na Região Central do Rio, quando voltava de um evento na Lapa. O motorista do veículo, Anderson Gomes, também foi atingido e morreu.
Foram acusados pela morte o sargento reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Queiroz, que respondem por duplo homicídio triplamente qualificado. Em abril, a Justiça do Rio de Janeiro acolheu mais duas denúncias contra eles, e Lessa vai responder também pelo crime de comércio ilegal de arma de fogo e Queiroz por posse ilegal de arma de uso restrito.
Lessa e Queiroz estão presos no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, para onde foram transferidos recentemente, no dia 28 de março. Antes estavam na penitenciária de Bangu 1, na zona oeste do Rio de Janeiro.
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