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Com presença do Irã na ONU, Trump questiona se deveria ‘aniquilar’ o país

Presidente dos EUA voltou a ameaçar o regime iraniano durante discurso na Assembleia Geral e disse que Teerã não terá uma arma nuclear

Nícolas Robert

Presidente dos EUA, Donald Trump, na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22)
Presidente dos EUA, Donald Trump, na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22) ANGELA WEISS / AFP

O presidente dos Estados Unidos questionou nesta terça-feira (22) a possibilidade de aniquilar a República IslâmicaIrã – “para o inferno”. A fala do norte-americano aconteceu durante discurso na Assembleia Geral da ONU, onde também está presente a delegação do país do Oriente Médio.

Trump disse que o Irã não poderá desenvolver uma arma nuclear e voltou a defender a ofensiva americana contra o país.

“Será que um acordo será feito com o Irã que faz com que eles consigam reconstruir um grande país, como já foi antes, talvez um dos grandes maiores países no Oriente Médio e até mesmo no mundo, ou será que eu tenho que aniquilar a República Islâmica e fazer isso rapidamente para não dar uma nova chance a eles de de matar e destruir países e pessoas de novo? Será que eu levo eles para o inferno, sem chance de sobrevivência?”Donald Trump na Assembleia Geral da ONU

“Acredito que chegaremos a um acordo logo após as eleições” de meio de mandato marcadas para novembro nos Estados Unidos, acrescentou o presidente americano.

A fala de Trump acontece em um momento de forte desgaste da ONU, que tem sido pressionada também pela postura adotada pelo governo americano. Desde que reassumiu a presidência dos EUA, em janeiro de 2025, Trump intensificou as críticas ao modelo de cooperação multilateral e reduziu o apoio de Washington à organização.

Resultados de seu governo nos EUA

Durante o discurso, Trump também dedicou parte de sua fala para exaltar os resultados de seu governo nos Estados Unidos. O presidente afirmou que o país alcançou níveis históricos de emprego e de investimento estrangeiro, além de apresentar avanços no combate à imigração ilegal e à pobreza.

“Dois anos atrás, nosso país estava morto, e agora é o país mais quente do mundo”, disse Trump.

Trump também destacou o impacto internacional de sua política. Segundo ele, as medidas adotadas por seu governo não beneficiam apenas os americanos, mas ajudam a enfrentar problemas em diferentes partes do mundo.

“O mundo inteiro está sendo levantado por um EUA energizado e mais poderoso do mundo”, afirmou o presidente durante o discurso.

Relação Cuba x Estados Unidos

Enquanto Trump discursava, a delegação de Cuba deixou o plenário da Assembleia Geral da ONU, depois de o norte-americano afirmar que seu governo avalia promover uma “mudança radical” no país caribenho. A fala aumentou a tensão entre Washington e Havana durante o encontro.

Trump afirmou que o regime comunista cubano estaria sob uma pressão sem precedentes e classificou o país como um “Estado falido”. O presidente americano também disse que o secretário de Estado, Marco Rubio, participa de negociações com representantes cubanos.

“Estamos pensando também numa mudança radical em Cuba, onde o regime comunista está sob a maior pressão que jamais esteve. É um regime absolutamente falido, um Estado falido. E vai cair”Donald Trump

Na sequência, o presidente americano mencionou Rubio e disse que os Estados Unidos não pretendem permitir que Cuba seja utilizada como um “porto seguro para o terror”. “Marco Rubio está levando adiante as negociações, está profundamente envolvido com os cubanos. Vamos ver o que acontece”, declarou.

Trump falou após Lula

Antes de Trump, o presidente Lula (PT) fez o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU. A fala foi marcada pela defesa do multilateralismo, da soberania nacional e da negociação diplomática para conflitos internacionais.

Ao abordar a guerra entre Rússia e Ucrânia, Lula disse que não haverá uma solução militar para o conflito e defendeu a retomada das negociações.

“Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. A diplomacia é a única opção”Presidente Lula

O presidente também citou o Grupo de Amigos da Paz, articulado por Brasil e China, como uma iniciativa voltada à criação de caminhos para o diálogo.

“Iniciativas como o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China, revelam que há forças na comunidade internacional dispostas a trabalhar pelo diálogo. Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável”, completou Lula.

Na parte dedicada à América Latina, Lula ponderou que o Brasil não deve se submeter à influência de grandes potências. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, disse. O presidente também criticou o que chamou de “tentações hegemônicas” e defendeu maior integração entre os países da região.

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