Capitão Augusto desiste de candidatura à presidência da Câmara

Sem a participação do parlamentar, a disputa pelo cargo reúne mais seis postulantes, além de Arthur Lira e Baleia Rossi

  • Por Jovem Pan
  • 30/01/2021 15h14 - Atualizado em 30/01/2021 16h53
Cleia Viana/Câmara dos DeputadosEntre os líderes da chamada bancada da bala, Capitão Augusto buscava reunir votos nas bancadas religiosas e entre colegas bolsonaristas e militares, se dizendo o único candidato "verdadeiramente” de direita

Em comunicado divulgado neste sábado, 30, o deputado federal Capitão Augusto (PL), um dos primeiros a se apresentar como candidato à presidência da Câmara dos Deputados, anunciou a desistência da candidatura. No documento, o parlamentar explica que a decisão foi tomada diante da polarização na disputa pelo cargo. “Nos últimos dias, percebi que a polarização política na Câmara dos Deputados restringiu o debate e os votos a somente 2 candidatos, ouvi de dezenas de deputados dessas bancadas que gostariam de votar em mim, mas teriam que se valer do voto útil contra a esquerda, inviabilizando dessa forma qualquer chances de ir para um segundo turno”. Entre os líderes da chamada bancada da bala, Capitão Augusto buscava reunir votos nas bancadas religiosas e entre colegas bolsonaristas e militares, se dizendo o único candidato “verdadeiramente” de direita.

Embora os holofotes estejam mais voltados para Arthur Lira e Baleia Rossi, a eleição para a presidência da Casa, agora sem a candidatura de Capitão Augusto, reúne mais seis postulantes ao cargo. Apesar de terem chances remotas de vitória, elas devem tirar votos dos dois principais blocos e podem ser um fiel da balança no resultado final. O deputado Fábio Ramalho (MDB) é visto como uma potencial terceira força. Apesar de não ter o apoio formal de nenhum partido, ele busca adesões no baixo clero e tem influência na bancada mineira. Ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados, Ramalho é conhecido por organizar jantares com comida mineira nos fundos do plenário para parlamentares, servidores e jornalistas. É a segunda vez consecutiva que ele vai concorrer.

Quem também se lançou candidato foi Alexandre Frota (PSDB). Ele entra na disputa com um discurso pró-impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, “são duas doenças que precisamos combater, a Covid-19 e Bolsonaro”. Outro candidato de estilo polêmico é o deputado André Janones (Avante). Após dizer em plenário que revelaria os “canalhas” e “vagabundos” da Câmara, chegou a ser denunciado no Conselho de Ética. Com foco nas redes sociais, ele tem como plataforma a volta do auxílio emergencial. Mas admite que contabiliza poucos votos. “Publicamente eu posso te dizer que não chego a cinco nomes para nos apoiar. De forma sigilosa, talvez hoje a gente consiga chegar a 10 nomes.”

Entre os chamados “outsiders”, um dos poucos com apoio do próprio partido é Marcel van Hattem (Novo). Apesar de a bancada ter apenas oito componentes, ele adota um discurso otimista dizendo que pode angariar mais votos no primeiro turno. “Esta é uma eleição da convicção, é uma eleição da consciência tranquila. Uma convicção que vai ser expressa nas urnas.” O PSOL também optou por lançar candidatura própria: a deputada Luiza Erundina. O partido estava internamente dividido e avaliava a possibilidade de aderir, desde já, ao bloco de Baleia Rossi. Mas optou pelo voo solo por entender que a oposição precisa ter um candidato. A bancada já definiu que, caso haja segundo turno entre Baleia e Arthur Lira (PP), vai votar no candidato do MDB.

Em seu primeiro mandato como deputado federal, General Peternelli (PSL) anunciou, nesta semana, que também vai concorrer à presidência da Casa. Ele foi lançado de forma avulsa, sem o apoio de nenhum partido. Deputado em primeiro mandato, Peternelli vai disputar o pleito pela segunda vez. Na primeira, em 2019, obteve dois votos. Em entrevista ao Jornal da Manhã neste sábado, 30, o parlamentar falou sobre seu plano de participação popular nas votações da Casa e sobre pautas que não foram abordadas até o momento pelo atual presidente, Rodrigo Maia. Visto como alguém com poucas chances de levar o comando da Câmara, atualmente rachada entre Baleia Rossi (MDB) e Arthur Lira (PP), o general não descarta a possibilidade de um segundo turno, mas não imagina que o voto secreto cause grandes revoluções na votação da casa.