Sabia que o centro de lançamento espacial mais bem localizado do mundo é brasileiro?

A Base de Alcântara, no Maranhão, fica em uma península muito próxima da linha do Equador e debruçada para o mar, o que permite que veículos sejam lançados para todos os tipos de órbita

  • Por Lívia Zanolini
  • 30/08/2021 15h09 - Atualizado em 30/08/2021 15h09
Lisandra Paraguassu/Estadão ConteúdoEm 2019, Brasil e Estados Unidos assinaram o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, que permite a exploração comercial do Centro Espacial de Alcântara, possibilitando que qualquer veículo que tenha algum componente americano possa ser lançado daqui

Se engana quem pensa que a tecnologia espacial é algo muito distante, presente apenas em pesquisas e projetos grandiosos, como a exploração de outros planetas ou o recém-inaugurado turismo no espaço. Sabia que é graças a ela que as pessoas têm acesso, por exemplo, às informações meteorológicas, às telecomunicações, às rotas do GPS e à geolocalização nos aplicativos de transporte? Pois é, para que tudo isso funcione, satélites são enviados para órbitas da Terra para coletar dados e, a partir deles, oferecer serviços à população. No Brasil, o programa espacial começou na década de 60 e é coordenado pela Agência Espacial Brasileira, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. O país possui dois centros de lançamento, que são locais propícios a mandar foguetes, satélites ou outras cargas para o espaço.

O primeiro a ser inaugurado, em 1965, foi o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Natal/Parnamirim, no Rio Grande do Norte. Como ao longo dos anos a cidade cresceu ao redor da estrutura, por questões de segurança, de lá são lançados apenas veículos espaciais de pequeno porte, que não ultrapassem 1 tonelada e 10 metros de comprimento. No local, também há antenas de telemetria e radar, que possibilitam o rastreamento dos equipamentos. Para abrigar operações com veículos maiores, na década de 80, foi inaugurado o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, considerado o mais bem localizado do mundo. Isto porque a estrutura fica em uma península muito próxima da linha do Equador e debruçada para o mar, o que permite que veículos sejam lançados para todos os tipos de órbita.

O Amazônia 1, o primeiro satélite de observação da Terra totalmente projetado, testado e operado pelos brasileiros, só não foi lançado de Alcântara, em fevereiro deste ano, porque não havia foguetes capazes de transportar o equipamento com seus 640 quilos. Por causa disso, após licitação internacional, o lançamento acabou sendo feito na Índia. Em 2019, Brasil e Estados Unidos assinaram o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, que permite a exploração comercial do Centro Espacial de Alcântara, possibilitando que qualquer veículo que tenha algum componente americano possa ser lançado daqui. Depois de ratificado pelo Congresso, foi feito um chamamento público, no ano passado, convocando as empresas nacionais e estrangeiras interessadas. Das nove que apresentaram proposta, quatro estão negociando contratos com a Aeronáutica para começar a operar já a partir do ano que vem.

Segundo o presidente da Agência Espacial Brasileira, Carlos Moura, o acordo permite que o país inicie uma nova era na exploração do espaço. “Nós estamos atraindo a iniciativa privada. Isso está acontecendo nos Estados Unidos, na Europa, na Ásia. Nós estamos vendo a iniciativa privada buscando bons projetos para poder investir. Essa é uma mudança de paradigma colossal. Quando a gente fala no setor econômico, oportunidade de emprego, de negócios, iniciativas para pequenas empresas, isso, certamente, é um nicho novo que estamos desenvolvendo. Nós temos demanda em vários setores econômicos muito fortes que podem investir muito. É o caso da agricultura, da mineração, do setor de óleo e gás. Então existe uma janela de oportunidade muito grande. Seja para lançar [veículos espaciais], seja para fazer satélite, seja para fazer aplicativos, que é onde está o grosso do mercado. A gente abre oportunidades para o brasileiro e pode entregar serviços para a nossa população”. Tá Explicado?

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