Você sabia que 40% da Amazônia não fica no Brasil?

Considerada patrimônio da humanidade, a floresta também se estende pela Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa

  • Por Lívia Zanolini
  • 14/10/2020 10h00 - Atualizado em 14/10/2020 18h10
Bruno Kelly/ReutersA Amazônia está presente em nove estados brasileiros: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e  Maranhão

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo em extensão e biodiversidade. Ela tem cinco milhões e meio de quilômetros quadrados na América do Sul e abriga dois milhões e meio de tipos de insetos, além de dezenas de milhares de espécies de plantas e mais de dois mil animais. São quase 12 mil espécies de árvores, quantidade que supera a de qualquer outro lugar do planeta, segundo comprovou estudo publicado no jornal britânico Scientific Reports. A floresta ocupa quase metade de todo o território brasileiro e 60% dela fica dentro do Brasil. Os outros 40% ficam na Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Por questões governamentais e econômicas, a porção da floresta situada no Brasil é chamada de Amazônia Legal, desde 1966, e está presente em nove estados brasileiros: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e  Maranhão.

Apesar da fauna exuberante, cientistas já alertaram que a Amazônia não pode ser chamada de “pulmão do mundo” como muitos gostam de dizer. Embora o oxigênio seja produzido em abundância, quase tudo acaba sendo consumido na respiração e decomposição de animais e plantas da própria floresta. Na realidade, são as algas as responsáveis pela liberação de quase todo o oxigênio respirável no planeta, já que elas pouco consomem o que produzem. O que, claro, não diminui a importância da floresta, que é considerada patrimônio da humanidade. Mas que, ainda assim, é constantemente ameaçada. Segundo o Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais -, em junho, o número de queimadas na Amazônia foi o maior, no mês, nos últimos 13 anos. Foram 4.596 focos de incêndio no período.

Além da fauna e da flora, a população que mora nessas regiões também sofre. Uma pesquisa da Fiocruz revelou que viver próximo às queimadas aumenta em 36% o risco de internação por problemas respiratórios. Inclusive, o número de crianças internadas dobra nas localidades afetadas pelo fogo. Apesar dos números preocupantes, uma imagem divulgada recentemente pela Nasa indicou que outras regiões do planeta têm um índice de queimadas muito superior ao da Amazônia, com destaque para a África. O avanço do desmatamento é outro grave problema da região. Alertas enviados pelo Inpe apontaram um deflorestamento, ainda em junho, do tamanho da cidade de Belém, no Pará: mais de 1.034 quilômetros quadrados. O maior índice de devastação, no mês, nos últimos cinco anos.

Todos esses levantamentos, além de representar riscos ao meio ambiente, acabam afetando a economia brasileira. Na tentativa de mudar a imagem negativa do país, o governo tem divulgado iniciativas para recuperar a confiança dos empresários e, com isso, atrair mais investimentos. Para tentar conter queimadas, desmatamentos e até invasões ilegais, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que trata da regularização fundiária. Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, se a falta de consenso entre os parlamentares persistir, a votação do projeto deve ficar só para depois da pandemia da Covid-19. Tá Explicado? 

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