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Mensagens revelam atuação de advogado junto a Lula para salvar Master, diz revista

Walfrido Warde teria intermediado contatos com ministros e assessores do Planalto para tentar evitar a crise do Banco Master

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Mensagens revelam atuação de advogado junto a Lula para salvar Master, diz revista
Segundo reportagem publicada pela revista VEJA, os diálogos, registrados entre 2023 e 2025, revelam contatos com ministros, assessores presidenciais e pessoas próximas ao chefe do Executivo. Divulgação / Walfrido Warde

Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, mostram que o advogado Walfrido Warde atuou junto a integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tentar viabilizar negócios e evitar o agravamento da crise financeira da instituição.

Segundo reportagem publicada pela revista Veja nesta sexta-feira (9), os diálogos, registrados entre 2023 e 2025, revelam contatos com ministros, assessores presidenciais e pessoas próximas ao chefe do Executivo.

De acordo com a publicação, Warde intermediou reuniões e encaminhou demandas de interesse do Master a integrantes do Ministério da Justiça, da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Palácio do Planalto. As articulações envolveram o recebimento de precatórios, a aproximação com autoridades e, posteriormente, a tentativa de venda do banco ao Banco de Brasília (BRB).

O advogado também teria participado das negociações para um encontro entre Vorcaro e Lula, realizado em dezembro de 2024. As mensagens indicam que Warde mantinha contato frequente com pessoas do entorno presidencial, mas não comprovam que Lula tenha participado das estratégias atribuídas ao advogado.

Contatos no Planalto

Segundo a Veja, em abril de 2024, durante um fórum jurídico realizado na Inglaterra com patrocínio do Banco Master, Warde prometeu conseguir uma audiência entre Vorcaro e o presidente. “Vou conseguir tua audiência com o PR”, escreveu o advogado. Em setembro daquele ano, Warde relatou ao banqueiro que havia se reunido com Lula e tinha informações importantes para transmitir. Vorcaro perguntou se seu nome havia sido mencionado na conversa. “Você falou de mim?”, questionou o empresário. “Claro”, respondeu Warde.

O encontro entre Vorcaro e Lula ocorreu em 4 de dezembro de 2024. Segundo a reportagem, também participaram da reunião o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o então CEO do Master, Augusto Lima, e Gabriel Galípolo, que assumiria posteriormente a presidência do Banco Central. Antes da reunião, Warde orientou Vorcaro sobre como apresentar seus argumentos ao presidente. “Abra o teu coração. Fale, ainda que elegantemente, mal do cara que quer te comprar”, escreveu. Em seguida, acrescentou: “É a bala de prata”. Após o encontro, o advogado afirmou ter recebido informações sobre o resultado da conversa. “Soube que foi muito bom”, disse a Vorcaro.

A revista também identificou oito visitas de Warde ao Palácio do Planalto nos registros oficiais, sendo a última em abril de 2024. Entretanto, mensagens posteriores sugerem outros contatos com o presidente. Em janeiro de 2025, o advogado afirmou ter se encontrado novamente com Lula. “Ele perguntou se você estava bem e mais tranquilo”, escreveu ao banqueiro, acrescentando que o presidente teria agradecido por um uísque recebido. Essas referências a conversas com Lula são relatos feitos pelo próprio advogado nas mensagens e não demonstram, por si só, o conteúdo ou a realização de todos os encontros mencionados.

Guido Mantega

Os diálogos também mostram a participação de Warde na aproximação de Vorcaro com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. No início de 2024, o advogado perguntou ao banqueiro se poderia organizar uma reunião com Mantega. Vorcaro concordou. Meses depois, o ex-ministro foi contratado como consultor do Banco Master por R$ 14 milhões, segundo a Veja.

Outra frente de interesse do banco envolvia uma carteira bilionária de precatórios, cujos pagamentos dependiam de decisões judiciais e administrativas. Nas conversas, Vorcaro mencionou o desembargador José Amílcar Machado, então presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que havia suspendido pagamentos de aproximadamente R$ 18 bilhões em precatórios relacionados a usinas de açúcar e álcool. Ao ser questionado sobre o assunto, Warde afirmou que resolveria a questão. A reportagem não apresenta, nesse trecho, comprovação de que o advogado tenha influenciado uma decisão judicial.

Belluzzo e Boulos

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo também aparece nas conversas obtidas pela revista. Segundo a VEJA, após um encontro com Warde no fim de 2024, Belluzzo apresentou uma ação popular na Justiça relacionada a interesses do Banco Master. Um comprovante bancário encontrado no celular de Vorcaro sugere um pagamento de R$ 250 mil ao economista. Belluzzo confirmou ter recebido recursos do advogado, mas negou que o pagamento estivesse relacionado à ação judicial. “O Vorcaro esteve aqui na minha casa, um pouco antes da intervenção extrajudicial, veio com um nheco-nheco, sugeriu que eu falasse com o Galípolo, mas eu disse que não faço lobby”, declarou à revista.

O ministro Guilherme Boulos, atual chefe da Secretaria-Geral da Presidência, também foi mencionado nos diálogos. Warde afirmou ter convencido Boulos a apresentar uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para limitar o pagamento de emendas parlamentares, medida de interesse do governo federal. “Eu tirei essa ação da cartola. Convenci o Boulos a ajuizar”, escreveu o advogado. Vorcaro respondeu: “Barba deve estar te amando”, em referência a um apelido de Lula. A troca de mensagens não demonstra que a ação tenha sido proposta a pedido do banqueiro ou em benefício direto do Master.

Advogado pressionou por venda

Em julho de 2025, quando o Banco Master tentava concluir sua venda ao Banco de Brasília, Warde e Vorcaro passaram a discutir a resistência do Banco Central à operação. A transação dependia de autorização da autoridade monetária, então presidida por Gabriel Galípolo. “Galípolo acabou a reunião agora. Inventou nova desculpa”, reclamou Vorcaro em uma mensagem. Warde respondeu com críticas ao presidente do Banco Central e pediu que Lula fosse informado sobre a situação. “Esse cara é um merda. Avise o presidente amanhã e vamos para a guerra”, escreveu.

Em outra conversa, o advogado enviou uma mensagem a Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, então chefe de gabinete de Lula. “O Gabriel não tem estofo pro cargo”, afirmou, antes de acrescentar: “Avisa o chefe por favor”. Na sequência, Warde fez uma ameaça relacionada ao impasse envolvendo o Master. “Vai ser ruim irmão. Nós vamos quebrar tudo”, escreveu. O advogado também afirmou que a operação com o BRB havia sido solicitada por Galípolo, que estaria criando obstáculos à conclusão do negócio. Trata-se de uma alegação registrada na conversa, sem comprovação independente no material apresentado.

Segundo a reportagem, Marcola garantiu que transmitiria a mensagem ao presidente. No dia seguinte, Warde informou a Vorcaro que Lula teria conversado por telefone com Guido Mantega. “O PR falou com o Guido ontem por telefone. Guido informou que está em Londres. PR disse que vai chamar assim que retornar”, escreveu.

Warde não comentou

A tentativa de venda ao BRB não impediu a liquidação do Banco Master, ocorrida meses depois. Segundo a Veja, Warde deixou de atuar para Vorcaro no início de 2026, quando o banqueiro passou a buscar um acordo de colaboração com as autoridades. Procurado pela revista, o advogado não quis comentar o conteúdo das mensagens.

A reportagem também informa que Marcola foi afastado do cargo após a divulgação de informações sobre despesas pessoais pagas por uma lobista que mantinha negócios com o filho do presidente. Os diálogos apresentados pela VEJA documentam a atuação e as declarações de Warde e Vorcaro, mas não comprovam que Lula tenha autorizado intervenções em favor do banco ou determinado qualquer medida irregular.

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