Reunião de líderes da Câmara tem bate-boca entre Maia e Lira
O clima na Câmara dos Deputados é de muita tensão. Na reunião de líderes na tarde desta segunda-feira, 1º, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Arthur Lira (PP-AL), candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, bateram boca em razão da formalização do bloco que apoia a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP). O emedebista anunciou uma aliança com 10 partidos: PT, MDB, PSB, PSDB, PDT, Solidariedade, PCdoB, Cidadania, PV e Rede.
A discussão ocorreu porque o PT só formalizou a adesão ao bloco de Baleia Rossi às 12h06, seis minutos após o fim do prazo – líder da Minoria, o deputado federal José Guimarães (PT-CE), disse que o partido tentou realizar o registro até às 11h59. De acordo com parlamentares presentes, Maia abriu a reunião dizendo que acataria a adesão do PT porque quem mandava era ele e que, até o fim da noite desta segunda-feira, ele ainda era o presidente da Câmara. Irritado, Arthur Lira deu um tapa na mesa e foi repreendido pelo deputado do DEM. “Você está pensando que está em Alagoas?”, questionou. O líder do Centrão rebateu: “E você pensa que está em um morro carioca?”.
O grupo de Lira, então, deixou a reunião aos gritos. Os parlamentares afirmavam que não poderiam participar da discussão “naqueles termos” e que Maia perdeu a “condição moral” de conduzir o pleito. Diante da decisão do presidente da Câmara de deferir o bloco de Baleia Rossi, aliados do líder do PP passaram a discutir se recorreriam ao Supremo Tribunal Federal (STF). Após um acordo, a judicialização foi momentaneamente descartada e os cargos na Mesa Diretora, escolhidos. Como a Jovem Pan mostrou, a 1ª vice-presidência ficou com o PL e a 1ª Secretaria, com o PT.
Ainda segundo relatos feitos à Jovem Pan, em outro momento da discussão, os deputados citaram a liminar do ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que a Mesa Diretora analise se os deputados suspensos pela cúpula do PSL poderão concorrer a cargos da Mesa. A petição foi feita pelo deputado federal Major Vitor Hugo (PSL-GO), um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro no Legislativo. Pressionado, Maia disse que o ministro, indicado por Bolsonaro para a vaga de Celso de Mello, era “parcial”.
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