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Política

Universidades particulares proíbem atos pró-Lula e pró-Flávio por ‘segurança’

Mackenzie e PUC-Rio vetaram manifestações após grupos estudantis convocarem mobilizações em apoio aos dois candidatos

Estadão Conteúdo

Manifestação pró Lula de estudantes da Universidade Mackenzie no último dia 8, na Praça Franklin Roosevelt, região central de São Paulo
Manifestação pró Lula de estudantes da Universidade Mackenzie no último dia 8, na Praça Franklin Roosevelt ANGÉLICA ALVES/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O acirramento do clima político no país e a aproximação do segundo turno das eleições levaram duas das mais tradicionais instituições privadas de ensino superior do Brasil a vedar a realização de eventos de caráter político-partidário dentro de seus campus.

A Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) emitiram comunicados oficiais proibindo manifestações e atos políticos organizados por grupos de estudantes favoráveis às candidaturas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

A justificativa das reitorias foi a necessidade de preservar a segurança, a integridade física e o bem-estar das comunidades acadêmicas diante de convocações feitas pelas redes sociais sem autorização prévia.

Na PUC-Rio, a decisão de cancelar todos os eventos político-partidários nas dependências do campus até o fim do período eleitoral foi divulgada na segunda-feira (12), em nota assinada pelo vice-reitor Renato Callado. A medida ocorreu na véspera de duas mobilizações, uma pró-Lula e a outra pró-Bolsonaro, marcadas para essa terça-feira (13) no mesmo local.

De um lado, o grupo “A PUC também é nossa”, formado por estudantes simpatizantes de Flávio Bolsonaro, previa uma manifestação “contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e os gastos públicos”, além da entrega de um documento à vice-reitoria solicitando maior pluralidade no ambiente universitário. Do outro, o coletivo “PUC-Rio Antifascista” organizava um encontro em apoio à candidatura à reeleição de Lula.

Bolsonaristas debocham da morte de Marielle Franco

Após o comunicado, os grupos mantiveram os atos fora da universidade. Os grupos trocaram ofensas na manhã de terça-feira. Em um dos momentos da manifestação, um dos integrantes bolsonaristas debochou da morte da vereadora Mariella Franco, assassinada em 2018. Ela é uma ex-aluna da PUC-Rio.

“Marielle tá no céu, com papai do céu. Ou não, né? Ou tá no colo do capeta”, afirmou o influencer Breno Faria.

Ele foi candidato a deputado federal pelo PL no Rio de Janeiro, recebeu 27.088 votos e não foi eleito. Ele não se pronunciou.

Nas redes sociais, a filha de Marielle, Luyara Franco, publicou um vídeo defendendo a mãe.

“Zombar do assassinato de Marielle Franco não é opinião. Não é debate. Não é liberdade de expressão. É violência política (…) Transformar o assassinato da minha mãe em motivo de deboche é desrespeitar sua história, sua família e a luta de tantas pessoas que seguem exigindo justiça”, afirmou Luyara.

Em comunicado, a reitoria da PUC-Rio reafirma o “dever institucional de zelar pela segurança e pela integridade física e moral de estudantes, professores, funcionários e demais integrantes da comunidade universitária”.

Dias antes, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, na capital paulista, em comunicado assinado pelo reitor Marco Tullio de Castro Vasconcelos, vetou qualquer atividade partidária no campus de Higienópolis.

A instituição tomou a medida após a convocação do grupo “Mackenzie com Lula”, que pretendia realizar uma assembleia de apoio ao candidato do PT nas imediações da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

A direção do Mackenzie argumenta que recebeu manifestações de preocupação por parte de integrantes da comunidade acadêmica e apontou a ausência de autorização prévia para o encontro, optando pela proibição de qualquer ato partidário para garantir a segurança no local.

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