Lava Jato e Mãos Limpas: conheça as semelhanças entre as operações

As duas investigações estão as maiores iniciativas de combate à corrupção do mundo e o modelo italiano é considerado fonte de inspiração para a força-tarefa brasileira

  • Por Lívia Zanolini
  • 03/05/2021 15h15 - Atualizado em 03/05/2021 17h31
Foto: Pedro França/Agência SenadoSímbolo da Lava Jato, o ex-juiz Sérgio Moro foi declarado suspeito pela conduta no caso do tríplex do Guarujá envolvendo o ex-presidente Lula; com a determinação do STF, todas as decisões de Moro no âmbito do processo serão invalidadas

Em 1992, o Ministério Público de Milão, na Itália, organizou uma força-tarefa de combate à corrupção que durou quase três anos e promoveu mudanças drásticas na política italiana. A Operação Mãos Limpas revelou um grande esquema de fraudes em licitações e desvios de recursos públicos e resultou em quase 3 mil mandados de prisão expedidos, centenas de empresários e parlamentares investigados, políticos do alto escalão condenados e partidos tradicionais extintos. Em 1994, com a saída do ex-procurador Antonio Di Pietro, símbolo da operação, a força-tarefa se desfez.

Em 2014, Polícia Federal e Ministério Público Federal deflagraram, no Brasil, a Operação Lava Jato, a maior ação de combate à corrupção da história do país. Foram condenadas 174 pessoas, entre elas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e mais de R$ 4 bilhões foram devolvidos aos cofres públicos. Em fevereiro deste ano, a força-tarefa de Curitiba, até então responsável pelas investigações, foi extinta e os trabalhos foram incorporados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado.

Bem, as semelhanças entre as operações já começam pelos alvos: empresas e políticos envolvidos em esquemas de corrupção. E, como o caso italiano teria inspirado a Lava Jato, as prisões preventivas e delações premiadas foram elementos centrais nas duas investigações. As reações também se assemelham. Na Itália, o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi baixou um decreto, conhecido como “salva ladrões”, que permitiu a soltura de investigados. Episódio comparado com decisão do Supremo Tribunal Federal que, em 2019, proibiu a prisão após condenação em segunda instância no Brasil.

Enquanto Berlusconi se beneficiou da ruptura política promovida pela operação para ganhar as eleições, aqui no Brasil o presidente Jair Bolsonaro também foi eleito em meio às revelações da Lava Jato. Ao longo das duas investigações, houve ataques às operações e acusações de abuso por parte da Justiça. Embora, no Brasil, os desdobramentos tiveram dimensão maior, como a divulgação de troca de mensagens hackeadas entre juiz e procuradores e a suspeição de Sérgio Moro. E mais uma coincidência. Tanto a Lava Jato, como a Operação Mãos Limpas, perderam força com a saída dos principais protagonistas: o ex-procurador Antonio Di Pietro, na Itália, e Moro, no Brasil. Tá Explicado?

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