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Política

Lula prioriza redes, mas gastou 2,5 vezes a mais com analógico do que com online no 1º turno

Campanha direcionou R$: 6.911.031, 00 para o material impresso e apenas R$ 2.690.000,00 em impulsionamento das redes sociais

Sarah Américo

celular seguro
Lula não gosta de usar o celular Ricardo Stuckert / PR

A derrota no primeiro turno da eleição presidencial fez com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua campanha repensassem as estratégias para o segundo turno em busca de reverter o resultado e conquistar o quarto mandato. Umas das propostas tem sido a aposta nas redes sociais, um recurso que não foi prioridade no primeito turno.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no primeiro turno, Lula gastou apenas R$ 2.690.000,00 em impulsionamento das redes sociais, enquanto seu adversário, o candidato Flávio Bolsonaro (PL), investiu R$ 9 milhões. Em 2022, somando o investimento do primeiro e do segundo turno, a campanha de Lula gastou R$ 25.189.936,88 em impulsionamento nas redes sociais.

Enquanto as redes sociais ficaram em segundo plano na campanha, o investimento no analógico esteve presente. Na soma dos gastos com publicidade por adesivos e materiais impressos, o Partido dos Trabalhadores (PT) gastou R$ 6.911.031, 00, enquanto Flávio direcionou menos da metade desta quantia, apenas 3.200.760,00.

Até o dia 07 de outubro, os gastos gerais da campanha de Lula eram contabilizados em R$ 65.643.682,77.

Gastos de Lula no 1º turno

Dados do TSE mostram que os gastos de Lula com as redes sociais aparecem na sexta posição entre os maiores custos da campanha.

  • Serviços prestados por terceiros – 62% (R$ 40.779.095,36)
  • Eventos de promoção da candidatura – 9% (R$ 6.226.748,22)
  • Serviços advocatícios – 6% (R$ 4.028.600,00)
  • Publicidade por adesivos – 6% (R$ 3.863.555,02)
  • Publicidade por materiais impressos – 5% (R$ 3.047.475,98)
  • Despesa com impulsionamento de conteúdos – 4% (R$ 2.690.000,00)
  • Pesquisas ou testes eleitorais – 2% (R$ 1.500.000,00)
  • Doações financeiras a outros candidatos/Partido – 2% (R$ 1.050.000,00)
  • Locação /Cessão de bens móveis (exceto veículos) – 1% (R$ 853.705,00)
  • Passagem aérea – 1% (R$ 654.926,16)
  • Serviços contábeis – 1% (R$ 600.000,00)
  • Locação/Cessão de bens imóveis – 0% (R$ 113.419,44)
  • Despesas com transposte ou deslocamento – 0% (R$ 83.415,90)
  • Cessão ou locação de veículos – 0% – (R$ 81.260,50)
  • Despesas com hospedagem – 0% (R$ 26.177,39)
  • Taxa de administração de financiamento coletivo – 0% (R$ 22.591,43)
  • Materias de expediente – 0% (R$ 14.036,36)
  • Encargos financeiros, taxas bancárias e/ou op. cartão de crédito – 0% (R$ 6.377,48)
  • Combustíveis e lubrificantes – 0% (R$ 2.298,53)

Lula e as redes sociais

A não conexão de Lula com as redes sociais não é de hoje, o presidente já deixou claro vários vezes que não tem o hábito e não gosta de usar celular próprio nem carrega o aparelho no dia a dia.

“Eu não uso celular porque tenho a mão para fazer outras coisas, não é para ficar carregando celular. E eu gosto de falar somente o essencial”, disse Lula.

A declaração foi feita nesta quarta-feira (07) após o mandatário fazer um vídeo selfie convocando os apoiadores à campanha contra Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial, em uma tentativa de comunicação mais direta com a população.

A preferência do analógico foi até alvo de críticas. Durante uma live em julho, o senador debochou do presidente por não usar celular, chegou a dizerm que o governo é ‘analógico’ e Lula ‘desconectado’. Segundo ele, o ato se trata de uma ‘desconexão com o mundo”.

Lula participou nesta quarta de um encontro com parlamentares jovens eleitos num hotel em Brasília. Os parlamentares fizeram questão de reforçar o pedido que o presidente seja mais ativo nas redes sociais e que a campanha fale mais sobre o futuro, especialmente comparando iniciativas da política econômica do presidente com as que Flávio Bolsonaro pretende apresentar.

Numa primeira reunião com governistas na segunda-feira (05), o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), sugeriu ao presidente que gravasse mais vídeos em formato de selfie para as redes sociais para estabelecer nessas plataformas um canal de contato mais próximo com o eleitor. Lula era resistente à ideia, mas acabou cedendo.

Uma das parlamentares presentes no encontro foi Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), que aos 21 anos se elegeu a deputada federal mais jovem do país.

“Eu entendo que hoje o nosso maior panfleto está no telefone, na rede social”, disse Ana Elisa a jornalistas.

A jovem contou que na véspera tinha trabalhado até a noite com a equipe de comunicação do presidente para levá-lo às redes sociais “de forma que ele fique confortável”.

“Hoje quem domina todas as narrativas nas redes sociais é a extrema-direita”, afirmou Ana Elisa, que tem quase três milhões de seguidores nas redes e que destacou que sua eleição foi fruto de dois anos de trabalho nas plataformas digitais.

Campanha desorganizada

A mudança de estratégia da campanha de Lula vem após a primeira fase das eleições, que aconteceu no domingo (4), em que o petista ficou 2.227.651 votos atrás de Flávio. Nesta quarta, o chefe de Estado declarou que essa foi a campanha mais desorganizada desde a 1ª que disputou em 1989.

“Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, declarou Lula em um tom humorado, apesar da cobrança feita em público aos organizadores.

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