Policiais de Lisboa são presos acusados de torturar imigrantes e moradores de rua
Autoridades portuguesas informaram nesta sexta-feira (16) que dois agentes da primeira divisão do Comando Metropolitano da Polícia de Segurança Pública de Lisboa estão presos desde julho de 2025, acusados de torturar imigrantes e moradores de rua. Eles ainda teriam compartilhado imagens, por meio de aplicativo de mensagem, das ações com outros integrantes da corporação portuguesa. As investigações para apurar a conduta dos guardas foram abertas após a morte de um marroquino.
O inquérito está sob segredo de Justiça. No entanto, a Reuters teve acesso à denúncia contra os agentes. O relato apresentado no documento descreve uma ação dos policiais contra um imigrante do Marrocos em uma delegacia. Um dos guardas teriam espancado o homem por horas e obrigado a vítima a beijar suas botas, enquanto o outro gritava em inglês: “Bem-vindo a Portugal”. O homem morreu 19 dias depois, no hospital. A procuradora da República portuguesa, Felismina Franco, acrescentou, no processo, que os agentes escolhiam pessoas vulneráveis, moradores de rua e deficientes físicos para cometer as agressões.
A filial portuguesa da organização de direitos humanos Anistia Internacional informou que um dos guardas foi acusado por 29 crimes, dentre eles abuso de poder, tortura, tratamento cruel, degradante ou desumano grave, estupro, roubo e falsificação. O outro policial responde a sete infrações. A entidade afirmou, em nota, que esse não é um caso isolado e os episódios de agressão tem aumentado, tanto na Polícia de Segurança Pública, quanto na Guarda Nacional Republicana.
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