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Vorcaro contratou garotas de programa para festa com ‘ministro KN’

Mensagens mostram que banqueiro organizou encontro em apartamento de luxo em São Paulo; Kassio Nunes Marques nega irregularidades e afirma que nunca favoreceu Vorcaro com suas decisões

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Vorcaro contratou garotas de programa para festa com ‘ministro KN’
Vorcaro contratou garotas de programa para festa com 'ministro KN' Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro contratou garotas de programa para uma festa em seu apartamento de luxo, em São Paulo, em 28 de fevereiro de 2025, que teria contado com a presença de um ministro. Mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) mostram que o encontro foi organizado para receber um convidado identificado como “ministro KN”. As conversas foram reveladas inicialmente pela revista piauí e tiveram seu conteúdo confirmado pela Jovem Pan.

Em nota enviada à Jovem Pan, o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou que nunca favoreceu Vorcaro em suas decisões, não trocou mensagens com o banqueiro e não fez pedidos a ele. O magistrado também declarou que não pode ser responsabilizado por conversas ou ações de terceiros.

As mensagens mostram que, três dias antes da festa, Vorcaro procurou uma agenciadora de garotas de programa identificada como Rayanna. “Pode sexta a tarde?”, perguntou. Após a confirmação, pediu: “Arruma mais 1 [uma]”. No dia do encontro, ao ser informado de que a agenciadora enviaria duas mulheres em seu lugar, o banqueiro concordou, mas fez uma exigência: “So lembra que sem celular”.

Os preparativos também incluíram a contratação de um chef de cozinha e a compra de R$ 21,1 mil em alimentos, entre eles carnes, caviar e trufas. Em mensagem ao arquiteto, Vorcaro avisou: “Vouch [sic] receber ministro aqui sexta”. Ao então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, escreveu: “Eu fazendo graça pra ministro em sp”.

Durante a festa, um funcionário informou que as mulheres haviam começado a chegar. Às 14h49, o mordomo avisou: “Convidado chegou”. Mais tarde, relatou ao banqueiro: “Emprestei quarto do lado para ministro com 5 menina. Liguei para pedir autorização mais senhor não viu [sic]”. Vorcaro autorizou: “Claro Qie sim”.

Em outra mensagem, o mordomo descreveu a situação no apartamento: “Aqui tá tranquilo já pessoal tudo pelado na piscina uma passou mau vomitou mais tá bem já”. Posteriormente, acrescentou: “Ministro tá sem pressa nenhuma de ir embora acabou de fala que está renovando para começa tudo novamente”. O funcionário informou a saída do convidado às 23h17.

Mensagens citam ‘KN’ e cobrança de R$ 10 mil

As conversas também mostram que, dois dias antes do encontro, o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), solicitou a um agente de viagens de Vorcaro uma reserva no hotel Fasano para um ministro identificado como “KN”. A sigla já havia aparecido em outras investigações sobre o Banco Master como referência a Kassio Nunes Marques.

Uma semana depois da festa, Rayanna voltou a procurar Vorcaro para cobrar o pagamento de uma das mulheres. “Ela disse que ficou com o kassio! Ela tá me cobrando aqui”, escreveu. O banqueiro respondeu pedindo “dados e valor”. A interlocutora indicou a quantia de R$ 10 mil e encaminhou uma chave Pix. As conversas não comprovam, por si só, que o ministro tenha participado dos atos relatados ou que o pagamento tenha sido realizado.

O que diz Kassio Nunes Marques

Em nota encaminhada à Jovem Pan, o ministro negou irregularidades e afirmou que nunca beneficiou Daniel Vorcaro. Leia a íntegra:

“O ministro Kassio Nunes Marques nunca votou a favor de Daniel Vorcaro (inclusive deu voto pela manutenção da prisão), nunca trocou mensagens com ele e nem pediu nada ao banqueiro.

O ministro também nunca autorizou ninguém a falar em nome dele e não pode se responsabilizar por conversas ou ações de terceiros. Seu filho nunca recebeu nada do Banco Master.

A matéria referenciada faz ilações e tenta relacionar tais diálogos com a atuação na Presidência do TSE, numa tentativa de fragilizar a condução da Justiça Eleitoral.”

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